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investimentos

Mercado após a eleição: o que explica a queda de 13,88% do Ibovespa e o que fazer com a sua calma

Por Equipe MoneyIA • 2026-10-27 • 6 min de leitura

O primeiro pregão depois do segundo turno de 2026 foi um dos mais violentos dos últimos anos. Lula (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no domingo (25) e a bolsa reagiu como quem foi pego de surpresa. Este texto reúne o que foi noticiado na segunda (26) e na terça (27) e separa o que é fato do que é interpretação.

Os números abaixo vêm das reportagens citadas ao final e podem ser revisados; cotações mudam ao longo do dia.

Segunda-feira (26): circuit breaker e a maior queda em seis anos

  • Ibovespa: fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, o menor nível desde 31 de agosto. Segundo a Money Times, foi o pior desempenho diário em seis anos.
  • Circuit breaker: a negociação foi suspensa por 30 minutos logo no início do pregão, o primeiro acionamento desde março de 2020.
  • Dólar: fechou a R$ 5,4029, com alta superior a 8%.
  • Juros futuros: as taxas de alguns contratos de DI subiram mais de 250 pontos-base.
  • Valor de mercado: as empresas da B3 perderam cerca de R$ 734 bilhões, segundo a Elos Ayta citada pelo Brasil 247.

A queda foi desigual. Entre as maiores baixas do dia estiveram ações ligadas ao consumo e a empresas endividadas, como Magazine Luiza, Vamos, Hapvida, C&A e Cosan, com perdas entre 47% e 58%. Já exportadoras como Suzano e Embraer e nomes como WEG e Vale subiram. Apenas oito papéis do índice fecharam em alta.

Terça-feira (27): acomodação, sem alívio completo

  • Ibovespa: -0,51%, aos 175.710 pontos, depois de oscilar entre 175.130 e 178.526. No acumulado, a semana marca -14,32%, outubro -5,70% e 2026 +9,05%.
  • Dólar: recuou 0,97%, a R$ 5,350.
  • Juros futuros: fecharam em queda em toda a curva; o DI para janeiro de 2027 ficou em 13,64% e o de 2028 em 14,36%, segundo o InfoMoney.
  • Tesouro: cancelou leilões e fez recompras de NTN-B, o que ajudou a acalmar os juros.

O bom desempenho de Magazine Luiza (+8,49%) mostra a lógica de um dia de repique depois de uma queda extrema, mas ela ainda está muito abaixo do patamar anterior. Bancos fecharam em baixa, e Vale e Petrobras caíram com minério de ferro em mínima de dois anos e petróleo em queda.

Por que o mercado reagiu assim

As reportagens apontam uma combinação de fatores:

  • Surpresa: parte dos investidores havia montado posições apostando em uma vitória de Flávio Bolsonaro e em uma agenda de ajuste fiscal. O desmonte dessas posições amplifica a queda.
  • Incerteza fiscal: o mercado quer saber quem comandará a Fazenda e como o governo tratará as contas públicas. O ministro Dario Durigan disse que há medidas fiscais prontas, mas outro ministro afirmou que um ajuste não foi discutido no governo, o que alimenta dúvidas.
  • Congresso: há preocupação com um Congresso considerado menos favorável à agenda do PT.
  • Juros altos: relatórios de bancos estrangeiros citam o efeito dos juros elevados sobre o crédito e a atividade. O Citi rebaixou a recomendação de ativos brasileiros e de papéis como XP e B3.
  • Cenário externo: Wall Street subiu nos dois dias, com otimismo em tecnologia e IA, o que mostra que o movimento foi principalmente doméstico.

Houve ainda declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, sem apresentar evidências, de que a eleição parecia fraudulenta. O vice-presidente Geraldo Alckmin a classificou como equivocada, e o PL reconheceu o resultado divulgado pelo TSE. Não há relato nas fontes de que isso tenha alterado o resultado.

O que olhar nos próximos dias

  • A definição da equipe econômica, em especial a Fazenda.
  • A decisão do Federal Reserve na quarta (28), em que o mercado espera manutenção dos juros, segundo o CME FedWatch citado pelo InfoMoney.
  • Balanços de grandes empresas e decisões de juros do BCE e do Banco do Japão ao longo da semana.
  • O envio ao Congresso de propostas do governo, como o chamado imposto do pecado.

Resumo dos dois pregões

IndicadorSegunda (26)Terça (27)
Ibovespa-13,88%, 176.608 pontos-0,51%, 175.710 pontos
Dólar comercialR$ 5,40 (alta superior a 8%)R$ 5,35 (-0,97%)
Juros futuros (DI)Alta de mais de 250 pontos-base em alguns contratosQueda em toda a curva

Como pensar sem pânico

Este não é um conselho de investimento: cada pessoa tem prazo, renda e tolerância a risco diferentes. Mas algumas perguntas ajudam em qualquer dia de queda forte:

  1. Para que serve esse dinheiro e quando vou precisar? Dinheiro que será usado em meses não deveria estar exposto a oscilações como a de segunda.
  2. Minha reserva de emergência está separada? Ela precisa de liquidez e baixo risco, e não deve ser tocada para tentar aproveitar a queda.
  3. Vendi ou comprei por causa de análise ou por susto? Mudar tudo no pior momento tende a transformar uma perda de papel em prejuízo real.
  4. Estou concentrado em poucos ativos? A queda desigual de segunda mostrou como papéis individuais podem perder mais da metade em um dia.
  5. Diversificar para fora do Brasil é uma opção? Um gestor ouvido pelo InfoMoney recomendou não correr por susto, mas montar a diversificação internacional aos poucos.
Exemplo hipotético
Duas pessoas, o mesmo susto, decisões diferentes

Ana precisa de R$ 30 mil para uma entrada de apartamento em oito meses; Bruno investe para a aposentadoria daqui a 20 anos. A queda de segunda pesa de forma muito diferente: para Ana, o prazo curto não deixa tempo para recuperar uma perda, então esse dinheiro faz mais sentido em algo de baixo risco. Para Bruno, a oscilação é parte do caminho, e o mais útil é conferir se a carteira continua diversificada e se os aportes seguem no plano. É um exemplo ilustrativo, não uma recomendação.

Juros futuros mais altos também afetam o dia a dia: financiamentos e crédito tendem a ficar mais caros, e produtos de renda fixa atrelados a juros podem passar a render mais. Vale comparar taxa, prazo e risco antes de qualquer decisão. Para organizar a base, leia o guia de reserva de emergência e o texto sobre os riscos de vender um Tesouro IPCA antes do vencimento, que explica por que preços de títulos oscilam quando os juros mudam.

Limites deste texto

Os dados são de fechamento e da cobertura de imprensa de 26 e 27 de outubro de 2026. Há pequenas divergências entre fontes em números intradiários, então confira cotações atualizadas antes de decidir. Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional habilitado.

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